O que os séculos passados nos ensinam sobre mudanças, inovação e disrupção

A inovação é uma particularidade do Século XXI? A verdade é que esse movimento que nos parece inédito foi presenciado em outros momentos da história e representa ruptura, quebra de paradigmas e oportunidades.

Certa vez li que toda grande revolução foi precedida por desemprego. A frase é cruel, na medida em que tenta justificar a perda de empregos em massa na necessidade de mudança. Mas o texto seguia e, logo mais, explicava que não se tratava de uma perda de empregos, mas a troca deles. Vou tentar explicar com um exemplo prático – e polêmico.

Ao menos em Porto Alegre, a Uber – e outros aplicativos de transporte – viveu (ou ainda vive) um problema social: estava fazendo com que os taxistas perdessem suas atividades, as quais muitos deles já realizavam há mais de 40 anos. Também sofreu duras críticas por parte do transporte público, na medida em que este teria de reduzir o seu funcionamento, ante à perda de passageiros.

Muitas palestras sobre inovação/disrupção/qualquer atividade chamada 4.0 iniciam suas exposições contando que, quando do surgimento dos primeiros carros, esses não poderiam ultrapassar 10 km/h e, ainda, deveriam ser precedidos por uma pessoa, carregando uma bandeira vermelha, que comunicava que o veículo estava se aproximando. Agora eu pergunto: o que aconteceu com a pessoa que carregava essa bandeira vermelha quando o carro se popularizou?

Nem é preciso dizer que esse “fenômeno” se repetiu em diferentes situações, desde a adoção das máquinas pelas indústrias até a dominação dos robôs – promessa do século XXI. Termos como startup, indústria 4.0, advocacia 4.0, etc, nos remetem a essa inovação, como se houvesse uma quebra com o que existia até então e tudo se torna obsoleto.

Ed Catmull, presidente da Pixar e da Disney Animation conta que o termo inteligência artificial entrou para o dicionário em 1956 e, em seu livro, usa a expressão “parecia que o futuro havia chegado”. Isso em 1956. Parece estranho, porque é justamente essa a sensação que temos hoje: o futuro está chegando, os robôs “vão dominar” as profissões, a inteligência artificial tomou conta dos mercados.

Outra história que pode nos parecer inventada, mas que também foi vivida pela equipe da Pixar: a Disney se recusava a investir nos filmes em que predominava o trabalho de computadores, pois entendiam que eram artificiais e que não seriam bem aceitos pelo público. E nesse cenário, a primeira animação computadorizada foi apresentada em 1976, o que, à época, era desinteressante. Conhece Guerra nas Estrelas? Foi o filme que rompeu esse preconceito, trazendo grandes efeitos visuais, mudando “a indústria para sempre” (para utilizar as palavras de Ed Catmull).

Todo mundo conhece ao menos um sucesso da Pixar ou da Disney. Ouso dizer que todo mundo tem, no mínimo, curiosidade de usar um aplicativo de transporte, afinal, é moderno, é prático. A televisão, um dia, foi sinônimo de modernidade. E o celular, então? Todos esses exemplos foram apenas para registrar que vivemos a era da inovação há muitos anos e, por isso, eu nos questiono: o que estamos fazendo para aproveitar todos os seus benefícios?