Investidor e Startup: quem escolhe quem?

Quando o startupeiro acredita em sua ideia, a primeira coisa que ele geralmente faz é contar aos seus familiares, amigos ou colegas de trabalho. O que parece natural, pois ele confia nessas pessoas, que são de seu relacionamento mais próximo.

O mesmo acontece quando ele decide buscar por sócios com habilidades ou conhecimentos complementares aos dele, pois assim a geração de ideias é mais vantajosa e pode propiciar melhores hipóteses para aquilo que será apresentado ao mercado.

Porém, no artigo de hoje quero dar foco na ideia de que a startup deve escolher seus investidores, desde o início. Pode parecer controverso, mas calma, eu explicarei.

É evidente que, no começo, o idealizador da ideia não tem, necessariamente, condições de se autofinanciar, o que faz com que seus investidores mais próximos sejam seus amigos e familiares.

Mas quando há mais hipóteses que parecem convergir para algo que pode ser grandioso, o fundador busca por investimentos mais robustos, para que sua ideia seja validada o quanto antes pelo público e já parta para a fase de validação do modelo de negócio.

O que muito se fala acerca das startups é sobre incerteza e timing. A incerteza parte do pressuposto que um produto inovador, nunca antes experimentado, que pode ou não dar certo. Assim como o tempo de lançamento pode interferir, ou não, no seu sucesso. Isso tudo é praxe para as startups, Ok?

Vale frisar que não estou considerando os obstáculos que os startupeiros encontram para constituir a forma jurídica, compreensão do cliente-alvo ou conhecimentos técnicos de gestão e finanças, mas sim na importância de escolher o investimento e o investidor ideal para seu negócio.

O investidor ideal pode não só contribuir financeiramente, mas também com conhecimentos específicos, inclusive da área em que será lançado o produto. O que faz com que, cada vez mais, os startupeiros busquem pelo “histórico” do investidor, negócios que ele fez, índices de sucesso e insucesso, capital aportado e rede de relacionamento.

Sim! O relacionamento do investidor com o mercado e com os demais investidores tem sido levado em consideração na tomada de decisão das startups, o que traz um novo mindset para o mercado, onde o recurso financeiro, dependendo da fase, passa a ser secundário. Bastante impressionante, não é?

Ainda, dados apresentados por uma aceleradora de startups do Brasil trazem um aumento de 57%, de 2017 para 2018, de negócios fechados, ou “deals” entre startups e investidores no Brasil, desde investidores-anjo até de capital de risco. Houve, também no mesmo ano, investimentos superiores a 2 bilhões de reais e as projeções indicam crescimento para os próximos anos.

É claro que é melhor para o idealizador da startup ter um percentual baixo de um valuation milionário (ao qual pode chegar escolhendo seus investidores) do que um percentual alto de uma empresa que não vale muito. Portanto, para que haja alinhamento nos interesses e necessidades de ambos, e para que, startup e investidor ganhem dentro das suas expectativas, é preciso escolher o parceiro correto.